sexta-feira, 13 de maio de 2011

Linhas vazias

Durante essas semanas de férias muitas coisas têm passado pela minha cabeça, mas nada digno de um texto, para ser bem sincero. Entre os temas, temos minha pequena decepção pelo ocorrido na SP Indy 300, com os portões abertos na segunda-feira, meus comentários sobre os filmes [bons, em sua maioria] que assisti nesse período e uma pequena discussão sobre o valor da esperança, motivada por comentários de um amigo em uma rede social. Como parece bastante óbvio, este último pensamento parece ser o mais frutífero para estas linhas vazias que escrevo nesta sexta-feira treze.

Me pergunto se é normal ficar pensativo ao ler que a esperança é algo ruim, que nos engana com a promessa de resultados que nunca alcançaremos. Primeiro, é bem diferente daquilo que normalmente encontramos – normalmente gosto de opiniões contrárias ao senso comum; depois, me lembra os argumentos que apresentei no post “Porque não leio mais a série Crepúsculo”.

Como citei naquela ocasião, perece-me claro que sempre buscamos um objetivo. Há muitas formas metafóricas de dizer isso e tenho certa apreciação pelas mais românticas; então, por que eu deveria aceitar uma inscrição que diz que nunca serei bom o bastante para a pessoa que gosto? Ainda que isso seja verdade, o simples fato de acreditar que um dia poderá dar certo pode fazer com que eu levante com melhor humor numa segunda-feira fria pela simples esperança de vê-la antes da aula; ainda que ela nunca fale comigo, o esforço pode me levar a conhecer outras e fantásticas pessoas; ainda que isso também não dê certo, haverá alguma outra coisa para acreditar, buscar e viver por.

Alguns amigos que leram meus textos disseram que sou meio dramático; pois bem, podemos mudar o ponto de vista: como questionar o valor de algo que motiva um doente que sofre de uma enfermidade incurável a continuar sorrindo? Como sempre digo, não é a existência de problemas maiores que extingue o meu problema (egoísta, mas inegável), mas o exemplo extremo que acabei de citar serve para ilustrar que a possibilidade de atingirmos situações melhores, ainda que impossíveis, é intrínseco àquilo que somos.

Sendo assim, por que devo ler e concordar com textos e frases tão deterministas como a que motivou este texto? Ou mesmo, a série de livros citada no post de 2010?

Me aproximo da conclusão de que aceitar conclusões deterministas como a que motivou este texto é simplesmente contrário à natureza humana. Sempre vivemos buscando algo e esta sentença é verdadeira desde seu sentido biológico até os mais intensos sentimentos que buscamos. Por fim, indico um vídeo que vi no Twitter da Pri e me deixou sem palavras... pode parecer meio inadequado, mas veio à minha mente enquanto escrevia esse texto.


http://www.youtube.com/watch?v=lmq321zjkvs&feature=player_embedded


[Keep believing...]

sexta-feira, 22 de abril de 2011

[F1] Voltando para casa


Aproveito minha relativa falta de inspiração para escrever sobre algo mais interessante para comentar as três primeiras etapas da Fórmula Um em 2011. O momento parece adequado, afinal, a volta para a Europa pode ser um divisor de águas na temporada – embora esta expectativa raramente se confirme. O melhor carro do ano tende a se manter como melhor, conforme se viu em 2009 e 2010 (depois da radical e falha mudança no regulamento para aumentar a competitividade).

Depois dos dois anos citados, Vettel aparenta ser agora um piloto muito mais centrado. Tendo um carro que parece ser o melhor do ano – certo eufemismo no “parece”, porém justificado pelo estranho e inconstante desempenho de Webber –, o campeão mais jovem da história tem tudo para conquistar seu segundo título. Ainda que o desenvolvimento da McLaren supere o da Red Bull Racing, o GP da China mostrou que o alemão quer marcar a maior quantidade de pontos possível, sem cometer besteiras que poderiam jogar o campeonato fora – algo como a atitude de Hamilton ao defender a liderança, sem pneus e sem precisar da vitória no mesmo circuito chinês em 2007.

Algumas boas surpresas foram vistas nessas primeiras etapas. Primeiro, o baixo rendimento da Ferrari, uma justa compensação pela vergonha praticada em 2010; depois, o sucesso nas mudanças do regulamento para esse ano, tornando (enfim) as corridas mais emocionantes para o grande público. Uso esta referência porque sempre considerei as disputas por décimos de segundo, decididas nas paradas nos boxes, muito emocionantes, ainda que isto não seja uma convenção. A melhor parte nisso tudo talvez seja a não banalização das ultrapassagens, como alguns pilotos temiam.

Para o resto do campeonato espero uma disputa acirrada no bloco intermediário; na frente, acho que Vettel se mostrará muito competente na tarefa de administrar a vantagem – como Button fez em 2009, embora a do alemão seja significativamente menor. Massa parece que finalmente consegue acompanhar Alonso, embora conclusões apenas possam ser tiradas quando a Ferrari andar na frente. Como o narrador Galvão Bueno diz, “andar forte do meio do grid para trás é fácil”.

Bom, isso encerra esse curto post neste feriado. Nada brilhante, eu sei... sugiro que leiam o post anterior, “Pequena felicidade”, o qual não divulguei ao publicar, mas explica bem o momento que vivo.

Bom feriado e até uma outra sexta-feira.

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Pequena felicidade


Sexta-feira. Um ótimo dia, afinal, ele teria apenas uma hora de aula pela manhã e depois iria comprar o ingresso para um espetáculo muito interessante. A aula não fora exatamente muito interessante, ele odiava Química, mas sabia que seu dia melhoraria depois daqueles 60min.

Na saída, ele se encaminhou até o local onde pegaria o transporte para a estação de trem. Foi quando a viu. Não era a primeira vez que a via, mas era diferente... ela parecia ainda mais encantadora. Falar com ela não era uma opção, considerando-se sua baixa autoestima e pouca criatividade, então sentou-se longe no transporte.

Chegou a estação de trem encantado, mas decidido a não falar. Subitamente, ocorreu-lhe uma dúvida sobre o percurso, nada grande, mas um detalhe minimamente importante. A dúvida nunca lhe pareceu tão perfeita, porque conscientemente ele precisava saná-la, mas inconscientemente tinha um motivo neutro para falar com ela. Tinha conseguido explicar para sua mente pessimista e detalhista porque, mesmo sendo como era, devia falar com aquela linda pessoa.

A decisão, no entanto, pareceu-lhe tardia quando viu o trem se aproximando. Mas era uma pergunta rápida, então resolveu fazê-la mesmo que a composição estivesse a menos de 30s da plataforma. Com uma apreciável dose de medo e incerteza, se aproximou e fez a pergunta sobre o percurso. Ela respondeu sem certeza, mas a resposta era apenas um detalhe. Aqueles poucos segundos de conversa já teriam lhe rendido o dia, mas, surpreendente e maravilhosamente, eles conversaram durante o percurso de três estações, até que ele teve que descer.

Ao final do dia, o humor dele estava ótimo e permaneceu assim durante o final de semana. Na segunda, ele teve esperanças de vê-la novamente, mas não aconteceu. Na terça, já não tinha tanta fé. De qualquer forma, chegara mais cedo para evitar o trânsito pesado e ler um pouco no silêncio da sala de estudos vazia. Ao sair, ainda com tempo, resolveu ir ao décimo andar esperar o horário de início da aula, aproveitando para ler mais um pouco. Ouviu alguns professores comentando a situação no Japão, pois o incidente nuclear ainda estava ocorrendo na época.

Dado o horário da aula, ele se encaminhou aos elevadores. Precisava descer sete andares e, normalmente, faria isso de escada, mas naquele dia estava meio preguiçoso. Uma breve espera pelo equipamento e uma grande torcida para que aquele fosse um “expresso para o terceiro andar”. Mas não foi... houve uma parada no sétimo; de fato, aquele não era um dia nada espetacular. E outra parada no quinto... só faltava encher pra ficar “perfeito”.

As portas se abriram e, como um truque da casualidade, um show do incontrolável, ela esperava pelo elevador no quinto andar. Ao vê-la, algo que esperava desde que disse “tchau” na sexta, ele não soube o que fazer... e tudo o que fez foi quase que sussurrar um “oi”. Ela respondeu e perguntou como ele estava, e ter respondido apenas “normal” o mataria de culpa quando ele lembrasse disso 30min depois.

Mas acontecera, sem nenhuma expectativa... por um breve momento, uma pequena felicidade. Não voltou a vê-la naquela semana.

sexta-feira, 25 de março de 2011

Um flerte com um hobby

Hoje resolvi postar algumas indicações de representantes de uma área que sempre me interessou, como fã, a publicidade. É impressionante a qualidade dos filmes de 30 ou 45s feitos pelas agências, que muitas vezes vão muito além da divulgação do produto, tornando-se verdadeiros mitos. Outras indicações não são tão consagradas, mas me agradaram bastante. Espero que gostem.

  1. Seda loiros radiantes

A Unilever normalmente traz filmes muito bons, muitos certamente melhores do que esta indicação, mas sempre me pareceu demasiado bonitinho – e difícil de achar – para não incluir na lista. Um romance em 30s:

http://www.youtube.com/watch?v=dN2SoJs0zTw


  1. Folha de S. Paulo – Hitler

Como diz o comentário que antecede o vídeo, é um dos 100 melhores anúncios publicitários já feitos. Inteligente e instigante, uma obra-prima da publicidade nacional:

http://www.youtube.com/watch?v=usm5xhPdqlg


  1. Época – A semana

Como você vê a semana? Este filme vai além do tempo normal para um comercial e muito além das expectativas; não o tinha assistindo antes de começar a montar esta lista, mas o título de melhor comercial de 2007 me chamou a atenção – felizmente. Espero que compartilhem minha opinião:

http://www.youtube.com/watch?v=DzEQteFCcQM&feature=related


  1. Johnnie Walker

Não poderia faltar na lista um, ou melhor, dois filmes que fazem parte do meu hd. Pode parecer estranho um anunciante ter dois filmes em uma lista do dez mais, mas essa marca tem, no mínimo, cinco produções marcantes.

Como incrível inteligência, beleza e elegância, são um algo a mais, um momento de inspiração nos comerciais das madrugadas. Foi difícil escolher apenas dois e espero ter feito justiça à essas grandes pequenas produções:

http://www.youtube.com/watch?v=D57NTsAfhCY – Imortalidade

http://www.youtube.com/watch?v=ORy-scrGk0Y – Até onde um passo pode te levar?


  1. Greenpeace

Na linha de campanhas com frases marcantes e inteligentes, selecionei esse filme do Greenpeace, que relaciona o famoso desejo de mudar o mundo às catástrofes geradas pelo alto índice de emissão de gases poluentes. Nota para a trilha sonora, que também é muito boa.

http://www.youtube.com/watch?v=Ke6aBV4kbNU


  1. G1

O poder da informação é realçado neste belo comercial de lançamento do portal de notícias da Globo. Entretanto, esta não é a minha campanha favorita do G1: uma outra que não consegui encontrar mostrava imagens que simbolizaram o mau em épocas passadas e hoje não mais o fazem.

O exemplo mais marcante que me lembro mostrava uma bandeira pirata, com seu fundo preto ostentando a caveira branca. Este símbolo levou terror aos marés séculos atrás, mas hoje, na cidade do Rio de Janeiro, é o slogan do Batalhão de Operações Especiais da polícia carioca.

De qualquer forma, este vídeo também “dá um caldo”.

http://www.youtube.com/watch?v=PGGvZRCEbyo


  1. Futura

O conhecimento sempre é mais atraente e irresistível nos comerciais do canal Futura. Assim como acontece nas campanhas da Johnnie Walker, é difícil escolher o melhor filme para colocar aqui. Em contraste com o último anúncio que vi na TV, sobre questionamentos contemporâneos, resolvi indicar este vídeo que traz uma reflexão mais histórica.

http://www.youtube.com/watch?v=Ot0lEs4S98Y&feature=related


  1. ABAP

Pensei em indicar como penúltimo vídeo uma campanha da Visa de 2004, que recebeu o nome de “Porque a vida é agora”. Mas, pensando bem, nunca gostei muito dessas mensagem do tipo “carpe diem”.

Então considerei adequado, numa postagem em homenagem a grandes momentos da publicidade, incluir aqui a homenagem da publicidade a ela mesma.

http://www.youtube.com/watch?v=Eyr_m2U6tbY


  1. Coca-Cola 125 anos

Por um longo tempo fiquei pensando qual seria o décimo e último vídeo que colocaria nessa lista. Pensei em outra campanha da Unilever, alguma outra de companhia de informação, mas as opções eram sempre para completar a lista, nunca de um vídeo sensacional.

A procura terminou ontem, quando liguei a TV e vi esta belíssima campanha dos 125 da Coca-Cola. Parece-me muito boa a ideia de terminar esta lista com uma mensagem otimista, veiculada num comercial tocante (e ao som de Whatever, da banda Oasis).

http://www.youtube.com/watch?v=Hp7JSotYgYQ



Sessão democrática

Enquanto montava esta postagem pedi opiniões a alguns amigos sobre campanhas que eles achava interessantes. Como a pesquisa foi curta, posso colocar aqui os resultados mais frutíferos, tornando a lista mais democrática.

Para Rodrigo Thiago Passos Silva, um grande filme foi o da campanha governamental “O melhor do Brasil é o brasileiro”. Espero ter escolhido o vídeo certo.

http://www.youtube.com/watch?v=mX91n8fpigQ

Para Paula Heleno, o anúncio de Sustagem Kids foi marcante.

http://www.youtube.com/watch?v=y09YztpVEpY


Fiquem à vontade para dizer, nos comentários, se concordam ou não minha seleção de qual vídeo mais gostaram. Abraços e até uma outra sexta-feira.

sexta-feira, 11 de março de 2011

De volta à atividade

Agora que o ano começou tentarei novamente cumprir meu peculiar e nada original cronograma de postagens - e duvido que venha a ser bem sucedido nessa tentativa. Em um dado momento escrevi o texto que iniciaria minhas atividades aqui em 2011, mas submetendo-o a uma análise baseada no bom senso conclui que ele era, digamos, "inadequado".
Então, inspirado pelos enredos que venceram as disputas carnavalescas em São Paulo e no Rio de Janeiro (entenda-se que a inspiração veio do nome, uma vez que nunca ouvi as músicas vencedoras) resolvi escrever sobre minhas observações a respeito do desfecho do campeonato de Formula 1 de 2010. Nessa semana no sambódromo de São Paulo gritou-se "A música venceu!"; em Abu Dhabi, em 14 de Novembro de 2010, poderia ter-se gritado the sport had won - embora não seja uma completa verdade.
Desde que comecei a assistir as corridas de Formula 1, no Grande Prêmio do Brasil de 2000, pude notar que o correto nem sempre triunfa nesse esporte - que, aliás, muitos nem consideram esporte. Durante a era Schumacher quase sempre se via uma vitória da Ferrari - não apenas nas pistas, mas nas questões extra-pista também. A primeira derrota, se é que se pode chamar assim, da escuderia italiana na década ocorreu em 2005, com a proibição da troca de pneus (restrição que claramente a prejudicou). No ano seguinte, a proibição foi banida (vale lembrar que, além de prejudicar as equipes que usavam pneus Bridgestone, a proibição da troca de pneus foi responsável pela corrida de seis carros em Indianapolis - veja o vídeo).


O fato realmente interessante aconteceu dois anos depois, em 2007, no escândalo de espionagem que deu o título de construtores à Ferrari em uma quinta-feira, se bem me lembro. O interessante numa épica batalha do bem contra o mal é que os dois pilotos da McLaren, Fernando Alonso e Lewis Hamilton, tinham muito mais chances de vencer o campeonato na última corrida do que o desafiante da Ferrari, Kimi Raikkonen, que venceu o campeonato - fortalecendo em nossas mentes a máxima "O crime não compensa".
Três anos depois, o mocinho foi convertido em vilão e em 25 de julho de 2010 assistimos, envergonhados, a mais clara manipulação de resultado da segunda metade da década (a maior deste período também veio da Ferrari, na Áustria, em 2002). Só que a lição de moral, algo como dizer aos milhões de fãs - muitas crianças inclusive - "não roubarás", não foi vista. Vergonhosamente, a FIA considerou que não houve manipulação do resultado do GP da Alemanha e a toda poderosa Ferrari seguiu normalmente a luta pelo tricampeonato de Alonso.
Entretanto, assim como em 2007, os fatos do final do campeonato mostraram uma natureza fabular, com a incrível vitória de Vettel sobre um favorito Alonso - que não conseguiu ultrapassar o rookie Petrov - numa poderosa Ferrari. O que de fato aconteceu na RBR nas etapas que antecederam o épico final em Abu Dhabi talvez nunca venha a ser conhecido por nós, o grande público, mas é provável que seja melhor assim. Dessa forma, a moral tem mais chances de se manter viva em nossa mente, sob a idéia de uma equipe que deixou que seus pilotos decidissem na pista quem seria o melhor - numa antagônica comparação com a vergonhosa equipe que tirou de seu piloto a vitória no meio do campeonato.

Para terminar, um vídeo muito interessante sobre a volta de uma lenda... mas isso é assunto para uma outra sexta-feira.