terça-feira, 12 de maio de 2009

Pela história

Como já era esperado, a direção da Ferrari anunciou hoje que, se o regulamento para a temporada 2010 não for alterado, a scuderia não participará do mundial do proximo ano. Segue a copia do pronunciamento:

“Maranello 12 May 2009 - Ferrari’s Board of Directors, chaired by Luca di Montezemolo, today analysed the first quarter results for 2009. Despite the current international economic climate, which has hit the automotive sector in particular, Ferrari’s figures were in line with the record levels reached in 2008. Turnover for the first three months was 441 million euro compared to 455.7 million euro over the same period in 2008. The first quarter closed with a trading profit of 54 million euro compared to last year’s 59 million euro.

“These results reflect the introduction of new models, in particular the success of the Ferrari California and the Scuderia Spider 16M, the constant growth in activities linked to the brand (e-commerce, licensing, merchandising and retail) and the company’s continuing efforts to maximise efficiency.

“The Board of Directors also examined developments related to recent decisions taken by the Federation Internationale de l’Automobile during an extraordinary meeting of the World Motor Sport Council on 29 April 2009. Although this meeting was originally called only to examine a disciplinary matter, the decisions taken mean that, for the first time ever in Formula One, the 2010 season will see the introduction of two different sets of regulations based on arbitrary technical rules and economic parameters.

“The Board considers that if this is the regulatory framework for Formula One in the future, then the reasons underlying Ferrari’s uninterrupted participation in the World Championship over the last 60 years - the only constructor to have taken part ever since its inception in 1950 - would come to a close.

“The Board also expressed its disappointment about the methods adopted by the FIA in taking decisions of such a serious nature and its refusal to effectively reach an understanding with constructors and teams. The rules of governance that have contributed to the development of Formula One over the last 25 years have been disregarded, as have the binding contractual obligations between Ferrari and the FIA itself regarding the stability of the regulations. The same rules for all teams, stability of regulations, the continuity of the FOTA’s endeavours to methodically and progressively reduce costs, and governance of Formula One are the priorities for the future. If these indispensable principles are not respected and if the regulations adopted for 2010 will not change, then Ferrari does not intend to enter its cars in the next Formula One World Championship.

“Ferrari trusts that its many fans worldwide will understand that this difficult decision is coherent with the Scuderia’s approach to motor sport and to Formula One in particular, always seeking to promote its sporting and technical values. The Chairman of the Board of Directors was mandated to evaluate the most suitable ways and methods to protect the company’s interests.”


Resta, agora, esperar que a FIA use o bom senso e não mate a Formula 1.

segunda-feira, 11 de maio de 2009

O dia que valerá o futuro

A Ferrari provou que é fantástica: renasceu das cinzas do mau-nascido F60 e apresentou um veículo capaz de andar à frete do RBR de Vettel no GP da Espanha. Por que é tão incrível: simples, em minha opinião, a RBR tem o melhor carro da temporada, na aerodinâmica, e a Ferrari se arrastava no Bahrein há pouco mais de duas semanas.Isso apenas prova que os esforços de Mosley para matar a escuderia italiana não funcionaram novamente - assim como não funcionaram em 2005. Mas pode ser que o fim realmente esteja perto; pode ser que o fim ja tenha data marcada: 1º de novembro de 2009, dia do "2009 FORMULA 1 ETIHAD AIRWAYS ABU DHABI GRAND PRIX", última etapa do ano.Amanhã, 12 de maio, a equipe se pronunciará se participará ou não do campeonato de 2010 - o que não deve acontecer se a proposta de teto orçamentário for mantida. Seria o lamentável fim de uma lenda, algo pelo qual admito ser apaixonado. Mas mais do que isso, seria uma punhalada na própria Formula 1, pois, como disse Bernie Ecclestone, "a Formula 1 é a Ferrari e a Ferrari é a Formula 1".Resta agora esperar e torcer. Sinceramente, torço para que, se for mantido o teto, que a escuderia não participe. A FIA já desfigurou demais a categoria e não seria bom ver a mais importante equipe do automobilismo mundial competindo em campeonato de dois regulamentos. Resta torcer também para que os erros lamentáveis vistos nos últimos tempos fiquem de vez no passado e que esse possa ser um final de campeonato - ou de história - que faça valer a história da Scuderia Ferrari e dos lendários pilotos que ali correram nesses 60 anos de magnífica e apaixonante história.

terça-feira, 5 de maio de 2009

Começo do fim? Melhor ajustar o relógio...

Há pouco, li um comentário de uma notícia em um certo site no qual o autor afirmava que, recentemente, assistimos ao "início do fim da F1". Pode parecer pesado, mas faz sentido. Entretanto, acho que o autor errou no momento da postagem.
A "Formula One" teve várias caras (basta olhar as "baratinhas" dos anos 1950 e os maravilhosos veículos de 2008), mas, pelo menos ao que sempre entendi, as mudanças sempre buscaram a evolução. Claro que achar estranho é normal, como, por exemplo, o nariz arredondado do Williams FW26 - que não era eficiente - ou as seis rodas do Tyrrell P34. Mas, desde que comecei a acompanhar o mundial, no GP do Brasil de 2000, nunca tinha visto ou ouvido falar de tantas mudanças impostas.
Algo que chegou perto, mas ainda muito distante, foram as mudanças de regulamento ocorridas na passagem da temporada 2004 para 2005. Naquela época, pelo que me lembro, a FIA justificou as mudanças aerodinâmicas como medida de segurança - fato curioso é que, com a proibição da troca de pneus tudo ficou muito mais perigoso. Basta lembrar do incidente com Raikkönen na última volta do GP da Europa.
Mas o que aconteceu na mudança de 2008 para 2009 foi o maior retrocesso que já vi. Certa vez, em uma entrevista, Barrichello afirmou que "andar a 300km/h não é nada; o grande barato é entrar numa curva a 300km/h". Será que isso é possível hoje, com a redução do downforce? Fato é que a perda aerodinâmica foi "compensada" com o uso dos pneus slicks, mas isso não é nada se considerarmos que projetos de evolução de carros foram praticamente jogados no lixo, e o que se viu foram bólidos no mínimo, estranhos.
Podemos, então, partir para uma questão muito interessante: onde está o começo do fim? Para respondê-la, é preciso pensar no que a Formula 1 significa: se for a evolução de todas as partes de um veículo, o fim começou no final de 2008; se significar a liberdade de disputa entre as equipes, o fim começou em no final de 2004 (apenas lembrando que as mudanças àquela época foram vergonhosamente forjadas para fazer a Ferrari parar de vencer).
A resposta, então é subjetiva, afinal, há aqueles que gostaram das mudanças, afirmando que agora temos muitas ultrapassagens. Pode até ser que sim, mas prefiro as corridas cerebrais, onde um detalhe, uma volta perfeita numa somatória de voltas precisas decidiam uma corrida.


O que acontecerá com o "desafio" de Mosley à Ferrari? Não arrisco um palpite, mas digo que já sinto falta da "boa e velha Formula 1".

RHS.