sexta-feira, 22 de abril de 2011

[F1] Voltando para casa


Aproveito minha relativa falta de inspiração para escrever sobre algo mais interessante para comentar as três primeiras etapas da Fórmula Um em 2011. O momento parece adequado, afinal, a volta para a Europa pode ser um divisor de águas na temporada – embora esta expectativa raramente se confirme. O melhor carro do ano tende a se manter como melhor, conforme se viu em 2009 e 2010 (depois da radical e falha mudança no regulamento para aumentar a competitividade).

Depois dos dois anos citados, Vettel aparenta ser agora um piloto muito mais centrado. Tendo um carro que parece ser o melhor do ano – certo eufemismo no “parece”, porém justificado pelo estranho e inconstante desempenho de Webber –, o campeão mais jovem da história tem tudo para conquistar seu segundo título. Ainda que o desenvolvimento da McLaren supere o da Red Bull Racing, o GP da China mostrou que o alemão quer marcar a maior quantidade de pontos possível, sem cometer besteiras que poderiam jogar o campeonato fora – algo como a atitude de Hamilton ao defender a liderança, sem pneus e sem precisar da vitória no mesmo circuito chinês em 2007.

Algumas boas surpresas foram vistas nessas primeiras etapas. Primeiro, o baixo rendimento da Ferrari, uma justa compensação pela vergonha praticada em 2010; depois, o sucesso nas mudanças do regulamento para esse ano, tornando (enfim) as corridas mais emocionantes para o grande público. Uso esta referência porque sempre considerei as disputas por décimos de segundo, decididas nas paradas nos boxes, muito emocionantes, ainda que isto não seja uma convenção. A melhor parte nisso tudo talvez seja a não banalização das ultrapassagens, como alguns pilotos temiam.

Para o resto do campeonato espero uma disputa acirrada no bloco intermediário; na frente, acho que Vettel se mostrará muito competente na tarefa de administrar a vantagem – como Button fez em 2009, embora a do alemão seja significativamente menor. Massa parece que finalmente consegue acompanhar Alonso, embora conclusões apenas possam ser tiradas quando a Ferrari andar na frente. Como o narrador Galvão Bueno diz, “andar forte do meio do grid para trás é fácil”.

Bom, isso encerra esse curto post neste feriado. Nada brilhante, eu sei... sugiro que leiam o post anterior, “Pequena felicidade”, o qual não divulguei ao publicar, mas explica bem o momento que vivo.

Bom feriado e até uma outra sexta-feira.

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Pequena felicidade


Sexta-feira. Um ótimo dia, afinal, ele teria apenas uma hora de aula pela manhã e depois iria comprar o ingresso para um espetáculo muito interessante. A aula não fora exatamente muito interessante, ele odiava Química, mas sabia que seu dia melhoraria depois daqueles 60min.

Na saída, ele se encaminhou até o local onde pegaria o transporte para a estação de trem. Foi quando a viu. Não era a primeira vez que a via, mas era diferente... ela parecia ainda mais encantadora. Falar com ela não era uma opção, considerando-se sua baixa autoestima e pouca criatividade, então sentou-se longe no transporte.

Chegou a estação de trem encantado, mas decidido a não falar. Subitamente, ocorreu-lhe uma dúvida sobre o percurso, nada grande, mas um detalhe minimamente importante. A dúvida nunca lhe pareceu tão perfeita, porque conscientemente ele precisava saná-la, mas inconscientemente tinha um motivo neutro para falar com ela. Tinha conseguido explicar para sua mente pessimista e detalhista porque, mesmo sendo como era, devia falar com aquela linda pessoa.

A decisão, no entanto, pareceu-lhe tardia quando viu o trem se aproximando. Mas era uma pergunta rápida, então resolveu fazê-la mesmo que a composição estivesse a menos de 30s da plataforma. Com uma apreciável dose de medo e incerteza, se aproximou e fez a pergunta sobre o percurso. Ela respondeu sem certeza, mas a resposta era apenas um detalhe. Aqueles poucos segundos de conversa já teriam lhe rendido o dia, mas, surpreendente e maravilhosamente, eles conversaram durante o percurso de três estações, até que ele teve que descer.

Ao final do dia, o humor dele estava ótimo e permaneceu assim durante o final de semana. Na segunda, ele teve esperanças de vê-la novamente, mas não aconteceu. Na terça, já não tinha tanta fé. De qualquer forma, chegara mais cedo para evitar o trânsito pesado e ler um pouco no silêncio da sala de estudos vazia. Ao sair, ainda com tempo, resolveu ir ao décimo andar esperar o horário de início da aula, aproveitando para ler mais um pouco. Ouviu alguns professores comentando a situação no Japão, pois o incidente nuclear ainda estava ocorrendo na época.

Dado o horário da aula, ele se encaminhou aos elevadores. Precisava descer sete andares e, normalmente, faria isso de escada, mas naquele dia estava meio preguiçoso. Uma breve espera pelo equipamento e uma grande torcida para que aquele fosse um “expresso para o terceiro andar”. Mas não foi... houve uma parada no sétimo; de fato, aquele não era um dia nada espetacular. E outra parada no quinto... só faltava encher pra ficar “perfeito”.

As portas se abriram e, como um truque da casualidade, um show do incontrolável, ela esperava pelo elevador no quinto andar. Ao vê-la, algo que esperava desde que disse “tchau” na sexta, ele não soube o que fazer... e tudo o que fez foi quase que sussurrar um “oi”. Ela respondeu e perguntou como ele estava, e ter respondido apenas “normal” o mataria de culpa quando ele lembrasse disso 30min depois.

Mas acontecera, sem nenhuma expectativa... por um breve momento, uma pequena felicidade. Não voltou a vê-la naquela semana.