sexta-feira, 5 de março de 2010

Porque não leio mais a série Crepúsculo

Hoje, durante o percurso até a Etec, um de meus retweets dessa semana não saía de minha cabeça: #IHateTwilight. Isso pode parecer um bocado incoerente vindo de alguém que leu três e meio dos quatro livros da série de Stephenie Meyer – e provavelmente é. Mas há algum tempo atrás percebi que meu excesso de preocupação com coerência me impedia de fazer algo maravilhoso: mudar de idéia. Assim sendo, sim, afirmo não gostar da série Crepúsculo, mesmo após ler três livros e meio.

Bom, melhor esclarecer que o pensamento que motivou este texto não foi meu combate mental por coerência ou não, mas sim o que me fez parar de ler Eclipse. O que explico agora toma como base o comportamento de grandes heróis dos quadrinhos como Spider-Man, Batman e Superman.

Iniciei a semana no Twitter escrevendo que “quero ser picado por uma aranha radioativa”. Sempre me identifiquei com o estilo meio “banana” de Parker pré-aranha (especialmente quanto a relacionamentos), mas há outros personagens com problemas em suas vidas pessoais (Seth Cohen, de The O.C., é um exemplo perfeito na primeira temporada do seriado). Particularmente, o que me fez gostar tanto dessas séries e filmes – além, é claro, da ação envolvida em histórias muito mais complexas que a de Meyer – foi a superação do personagem desajustado socialmente.

Nesse sentido, apesar da saga de Peter e Mary Jane figurar entre as melhores, o grande prêmio vai para Seth e Summer na primeira temporada de The O.C.: do cara que nem era notado, que tinha sua existência desconhecida apesar de estudarem na mesma escola, ao posto de namorado de sua amada (Seth é meu ídolo! – ao menos, até o final da primeira temporada).

Bom, mas o que isso tem a ver com Crepúsculo? Obviamente, o amor não tem explicação – talvez em parte por isso seja tão belo –, mas, sendo um amor de ficção, certas coisas devem ser explicadas ou, no mínimo, motivadas. O amor cego de Bella por Edward era algo que incomodava desde o primeiro livro e ficou insuportável no final do segundo. A garota se apaixona pelo herói, pelo “símbolo de perfeição”, por aquilo que nós, simples mortais, nunca conseguiremos ser.

Onde está o conflito, a superação? Fãs da série podem argumentar que a grande superação de Edward é não mordê-la, mas isso não passa, em minha opinião, de uma simples regra de convivência. É como alguém que pratica seriamente certas religiões que pregam o ato sexual apenas após o casamento (e isso não torna esses indivíduos heróis, perante a ampla opinião pública). Claramente, não se mata a pessoa amada.

Como torcer por um personagem que nunca, na história narrada, sofreu as dores humanas de ver sua amada com outro, ou vê-la e não conseguir falar nada decente – novamente, para os fãs da série: não falar por necessidades alimentícias não se encaixa nessa dor; fome e dependência química são temas muito tristes, mas não são essas as dores as quais me refiro – e sair de cada ocasião em que a vê sentindo uma enorme angústia por sua insegurança.

Edward não é digno de ser chamado de herói. Salvo nos fracos conflitos criados por Meyer, a situação sempre esteve sob seu controle. Stephenie, aliás, é muito eficiente em dizer a todos os que buscam nos heróis inspiração para superar seus medos que nada do que façamos será suficiente, afinal, nossa amada verá o “herói” e se apaixonará instantaneamente por ele, sem nenhum motivo.

Enfim, por que continuar a ler algo assim? Algo que diz que a situação não pode melhorar, não importa o que se faça? Algo que apenas me faz recordar as reais situações? Particularmente, prefiro procurar algo mais inspirador.

Um comentário:

  1. Que orgulho!
    o post "#IHateTwilight" foi o meeu! *-*
    Sempre falei que essa Meyer não prestava, mas ninguém ouve o Dênis Gil!
    hahaha
    Boa decisãão!

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