sexta-feira, 9 de abril de 2010

Fairytale – Parte II: Pushing like he never did before.

Jamais poderia se afirmar que ele não gostava de tradições. Pode-se dizer até que tinha o dom de criá-las, embora quisesse muito libertar-se de seus usuais insucessos. Dessa vez ouvira o que precisava ouvir, mas a situação já tinha ido além de suas iniciais expectativas: ela sabia quem ele era e, mesmo que o esquecesse em alguns meses, já era mais do simplesmente observá-la silenciosamente.

Qualquer outra situação teria parado aí. “Para pedir o MSN dela você precisará ter muito assunto”, disse um de seus amigos. Ele sabia que não tinha e não teria assunto para manter uma conversa dinâmica, caso as coisas saíssem normalmente. Mas tudo sobre ela parecia ser incrível, então o normal nunca poderia ser aceito como uma simulação aceitável.

A essa altura ele já sabia que, independentemente do que acontecesse, ela sempre seria lembrada. Depois das últimas tentativas de relacionamento, nas quais se sentira obrigado a fingir ser alguém diferente de quem era, encontrar alguém que o aceitara sem exigir nenhuma mudança foi indescritível. Incrível demais para parar no comum.


“Meu relacionamento com ela provavelmente não dará certo, mas, se um dia eu me casar com alguém, se ao menos eu estiver com alguém, será porque um dia ela me aceitou quando ninguém mais o fez, sem exigir nenhuma mudança. Ela é inesquecível.”


Então ela foi adicionada. Como esperado por seus amigos e sabido por ele, faltava assunto. Mas isso não parecia importar muito a ela. Depois de muito tempo, iniciara uma conversa sem se sentir pressionado como em uma prova. O desejo de conhecê-la era o que o motivava, saber se suas expectativas eram verdadeiras. E eram... que pessoa fantástica; sem exageros, a mais fofa que ele conhecera.

Dizer que ele tinha um problema seria eufemismo, mas certo problema era especialmente grave e impossível de ser solucionado: o tempo. Eles só freqüentariam o mesmo espaço até o final do ano corrente e no presente momento estavam perto do mês de junho. Muitos dirão que seis meses é muito tempo, mas ele não poderia ser apressado; tinha medo de estragar tudo e era suficientemente realista pra não acreditar em suas chances.

Com o passar do tempo, tentou algumas vezes falar pessoalmente com ela; como gaguejava. E isso não era ruim... as piadas agora saíam com naturalidade (eram horríveis, mas naturais), seu humor melhorara e, como nunca antes, ele confiava em si mesmo.

Confiava tanto que, em novembro, chegando atrasado, foi passar o tempo na biblioteca – que estava razoavelmente cheia – e a encontrou, com um lugar vago a frente. Nervoso como poucas vezes se sentira até então, ele se sentou em frente a ela e teve o que poderíamos chamar primeira conversa – a menos um mês de, provavelmente, nunca mais vê-la. Claro que as dificuldades virtuais se confirmaram na vida real, mas não havia como não gostar daquela situação. Ouvir sua voz era uma sensação única... sentia vontade de abraçá-la a cada instante.

Podem ter sido poucas palavras naqueles 15min, mas o que ele sentiu ao se despedir foi algo que nunca esqueceu. Podem chamar de exagero, bobagem, que seja... ali ele aprendia o significado de sentir cada momento, por mais casual que pudesse ser. Por aqueles dias ouviu que é típico do ser humano “querer sempre mais” e discordou sinceramente daquela frase. Embora quisesse ter um relacionamento afetivo de fato com ela, ele sabia que vivia um de seus melhores momentos. O que mais poderia querer, se já a via todos os dias, falava com ela e tinha esperança de, algum dia, conseguir ao menos um abraço da pessoa que definitivamente mudara sua vida? Ele sabia que vivia um momento incrível e não deixou que ninguém dissesse o contrário (por isso brigou com sua melhor amiga, que diminui os fatos).

Que fossem pequenos, mas eram fatos.

“…See the man that boy could be

there is more than meets the eye…” – Sk8er Boy, Avril Lavigne.

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