sexta-feira, 8 de abril de 2011

Pequena felicidade


Sexta-feira. Um ótimo dia, afinal, ele teria apenas uma hora de aula pela manhã e depois iria comprar o ingresso para um espetáculo muito interessante. A aula não fora exatamente muito interessante, ele odiava Química, mas sabia que seu dia melhoraria depois daqueles 60min.

Na saída, ele se encaminhou até o local onde pegaria o transporte para a estação de trem. Foi quando a viu. Não era a primeira vez que a via, mas era diferente... ela parecia ainda mais encantadora. Falar com ela não era uma opção, considerando-se sua baixa autoestima e pouca criatividade, então sentou-se longe no transporte.

Chegou a estação de trem encantado, mas decidido a não falar. Subitamente, ocorreu-lhe uma dúvida sobre o percurso, nada grande, mas um detalhe minimamente importante. A dúvida nunca lhe pareceu tão perfeita, porque conscientemente ele precisava saná-la, mas inconscientemente tinha um motivo neutro para falar com ela. Tinha conseguido explicar para sua mente pessimista e detalhista porque, mesmo sendo como era, devia falar com aquela linda pessoa.

A decisão, no entanto, pareceu-lhe tardia quando viu o trem se aproximando. Mas era uma pergunta rápida, então resolveu fazê-la mesmo que a composição estivesse a menos de 30s da plataforma. Com uma apreciável dose de medo e incerteza, se aproximou e fez a pergunta sobre o percurso. Ela respondeu sem certeza, mas a resposta era apenas um detalhe. Aqueles poucos segundos de conversa já teriam lhe rendido o dia, mas, surpreendente e maravilhosamente, eles conversaram durante o percurso de três estações, até que ele teve que descer.

Ao final do dia, o humor dele estava ótimo e permaneceu assim durante o final de semana. Na segunda, ele teve esperanças de vê-la novamente, mas não aconteceu. Na terça, já não tinha tanta fé. De qualquer forma, chegara mais cedo para evitar o trânsito pesado e ler um pouco no silêncio da sala de estudos vazia. Ao sair, ainda com tempo, resolveu ir ao décimo andar esperar o horário de início da aula, aproveitando para ler mais um pouco. Ouviu alguns professores comentando a situação no Japão, pois o incidente nuclear ainda estava ocorrendo na época.

Dado o horário da aula, ele se encaminhou aos elevadores. Precisava descer sete andares e, normalmente, faria isso de escada, mas naquele dia estava meio preguiçoso. Uma breve espera pelo equipamento e uma grande torcida para que aquele fosse um “expresso para o terceiro andar”. Mas não foi... houve uma parada no sétimo; de fato, aquele não era um dia nada espetacular. E outra parada no quinto... só faltava encher pra ficar “perfeito”.

As portas se abriram e, como um truque da casualidade, um show do incontrolável, ela esperava pelo elevador no quinto andar. Ao vê-la, algo que esperava desde que disse “tchau” na sexta, ele não soube o que fazer... e tudo o que fez foi quase que sussurrar um “oi”. Ela respondeu e perguntou como ele estava, e ter respondido apenas “normal” o mataria de culpa quando ele lembrasse disso 30min depois.

Mas acontecera, sem nenhuma expectativa... por um breve momento, uma pequena felicidade. Não voltou a vê-la naquela semana.

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