sexta-feira, 30 de abril de 2010

Fairytale – Parte III: The end of [our?] story.

Mas eram pequenos. E não havia mais tempo. Dezembro chegara e ele nunca a veria novamente. Foi fantástico, muito além do que ele esperava, mas acabara. Acabara?

Acredito que a coisa mais fantástica nessa história está no fato dela não ter acabado com o ano. Pelo contrário, ela continuou. E teria tudo pra continuar morna, com todos sabendo o que ele sentia, menos ela.

Depois de alguns meses ele fez as pazes com sua melhor amiga – iniciando o relacionamento mais sincero de sua vida. Em parte pelos conselhos dela, mas principalmente por não poder conter mais o que sentia, ele decidiu falar abertamente sobre o assunto. E assim o fez, numa quarta-feira...

A resposta era clara: não haveria chances. Obviamente ela não fora tão dura com ele, mas talvez essa devesse ter sido a interpretação. Mas ele continuou...

Chegou a vê-la pessoalmente algumas vezes, momentos únicos nos quais teve genuína esperança de seu fairytale teria um final feliz. A cada dia que sabia que a veria ele acordava com o refrão de Amazing na cabeça...


“…It's amazing

moment arrives that you know you'll be alright…” – Amazing, Aerosmith


Was it their or his story?


Não posso escrever como é o fim desse conto de fadas, pois acredito que ele ainda não terminou. Apesar de todas as indicações de que seu final não será “feliz”, me sinto feliz, pois sinceramente acredito que vivi um fairytale.

E se hoje posso rir, falar qualquer besteira com a maior naturalidade possível é porque um dia, quando tudo mostrava que eu não poderia ser quem sou e todos me diziam o que fazer, você me disse simplesmente “oie”. Ti amo ♥.

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Fairytale – Parte II: Pushing like he never did before.

Jamais poderia se afirmar que ele não gostava de tradições. Pode-se dizer até que tinha o dom de criá-las, embora quisesse muito libertar-se de seus usuais insucessos. Dessa vez ouvira o que precisava ouvir, mas a situação já tinha ido além de suas iniciais expectativas: ela sabia quem ele era e, mesmo que o esquecesse em alguns meses, já era mais do simplesmente observá-la silenciosamente.

Qualquer outra situação teria parado aí. “Para pedir o MSN dela você precisará ter muito assunto”, disse um de seus amigos. Ele sabia que não tinha e não teria assunto para manter uma conversa dinâmica, caso as coisas saíssem normalmente. Mas tudo sobre ela parecia ser incrível, então o normal nunca poderia ser aceito como uma simulação aceitável.

A essa altura ele já sabia que, independentemente do que acontecesse, ela sempre seria lembrada. Depois das últimas tentativas de relacionamento, nas quais se sentira obrigado a fingir ser alguém diferente de quem era, encontrar alguém que o aceitara sem exigir nenhuma mudança foi indescritível. Incrível demais para parar no comum.


“Meu relacionamento com ela provavelmente não dará certo, mas, se um dia eu me casar com alguém, se ao menos eu estiver com alguém, será porque um dia ela me aceitou quando ninguém mais o fez, sem exigir nenhuma mudança. Ela é inesquecível.”


Então ela foi adicionada. Como esperado por seus amigos e sabido por ele, faltava assunto. Mas isso não parecia importar muito a ela. Depois de muito tempo, iniciara uma conversa sem se sentir pressionado como em uma prova. O desejo de conhecê-la era o que o motivava, saber se suas expectativas eram verdadeiras. E eram... que pessoa fantástica; sem exageros, a mais fofa que ele conhecera.

Dizer que ele tinha um problema seria eufemismo, mas certo problema era especialmente grave e impossível de ser solucionado: o tempo. Eles só freqüentariam o mesmo espaço até o final do ano corrente e no presente momento estavam perto do mês de junho. Muitos dirão que seis meses é muito tempo, mas ele não poderia ser apressado; tinha medo de estragar tudo e era suficientemente realista pra não acreditar em suas chances.

Com o passar do tempo, tentou algumas vezes falar pessoalmente com ela; como gaguejava. E isso não era ruim... as piadas agora saíam com naturalidade (eram horríveis, mas naturais), seu humor melhorara e, como nunca antes, ele confiava em si mesmo.

Confiava tanto que, em novembro, chegando atrasado, foi passar o tempo na biblioteca – que estava razoavelmente cheia – e a encontrou, com um lugar vago a frente. Nervoso como poucas vezes se sentira até então, ele se sentou em frente a ela e teve o que poderíamos chamar primeira conversa – a menos um mês de, provavelmente, nunca mais vê-la. Claro que as dificuldades virtuais se confirmaram na vida real, mas não havia como não gostar daquela situação. Ouvir sua voz era uma sensação única... sentia vontade de abraçá-la a cada instante.

Podem ter sido poucas palavras naqueles 15min, mas o que ele sentiu ao se despedir foi algo que nunca esqueceu. Podem chamar de exagero, bobagem, que seja... ali ele aprendia o significado de sentir cada momento, por mais casual que pudesse ser. Por aqueles dias ouviu que é típico do ser humano “querer sempre mais” e discordou sinceramente daquela frase. Embora quisesse ter um relacionamento afetivo de fato com ela, ele sabia que vivia um de seus melhores momentos. O que mais poderia querer, se já a via todos os dias, falava com ela e tinha esperança de, algum dia, conseguir ao menos um abraço da pessoa que definitivamente mudara sua vida? Ele sabia que vivia um momento incrível e não deixou que ninguém dissesse o contrário (por isso brigou com sua melhor amiga, que diminui os fatos).

Que fossem pequenos, mas eram fatos.

“…See the man that boy could be

there is more than meets the eye…” – Sk8er Boy, Avril Lavigne.

sexta-feira, 26 de março de 2010

Fairytale – Parte I: algo fora do comum

O ano anterior fora péssimo. Metade se passara em lamentações por situações por ele exageradas; a outra parte se perdera numa tentativa desastrosa de relacionamento que só servira para piorar seu estado de espírito. Nesse período, aproximou-se de seu esporte favorito e apegou-se a ele como forma de superar os insucessos pessoais.

No início do novo ano, seu PC quebrou. Aquilo seria encarado como presságio de outra época ruim, mas passar 54 dias sem o aparelho foi fundamental para que o ano se iniciasse de fato. Tudo novo, novas perspectivas, um novo campeonato, quase que nenhum vínculo com os anteriores 365 que ele queria esquecer.

Na volta à rotina, tudo melhorara, menos sua dependência da opinião de outras pessoas. Mas isso era contornável, administrável. Os dias eram agora até que legais, agradáveis. As caminhas, outrora solitárias, eram agora acompanhadas por seus novos amigos.

Numa dessas caminhadas, voltando da lanchonete, ele a viu pela primeira vez. Começava, então, a mais fantástica história que ele poderia imaginar. “Como ela é bonita”, foi a primeira coisa que passou por sua mente. Tinha tudo para ser só mais uma impressão, mas não foi. Ela não foi esquecida depois de três minutos... foi lembrada a cada nova oportunidade – e eram muitas.

Ele não sabia seu nome, qual era seu grupo, como ela era... mas a cada vez que a via, tinha vontade de abraçá-la, conhecê-la, descobrir o que a fazia se sentir bem – acho que, desde então, ele gostava dela. “Como chegar a ela?”, era a grande questão.

Depois das experiências passadas ele estava traumatizado; passara tanto tempo tentando ser alguém para estar com uma pessoa que mal lembrava como era ser ele mesmo. A possibilidade de falar pessoalmente com ela estava, portanto, descartada. Restava, então, o domínio virtual, mas encontrá-la seria muito difícil. Tão difícil que ele só conseguiu meses depois, numa ocasião de muita sorte.

Mas, depois de encontrá-la, o que fazer? Com certa dose de certeza podemos afirmar que ele não era muito discreto enquanto a observava e isso podia atrapalhar uma apresentação virtual. Pediu, então, a opinião dos amigos, que disseram ser melhor não adicioná-la, para evitar perguntas do tipo “Quem é você?”. Ele sempre ouvia os amigos... mas não nesse dia. Depois do “add”, um dia de espera até a pergunta que todos sabíamos que seria feita.

Talvez ele não tenha sido muito sincero ao responder que apenas a havia visto algumas vezes, mas a historia original pode ser meio assustadora, dependendo de como se interpreta. Estava feito... ele se apresentara virtualmente, ela o aceitara. Num curso natural das coisas, a história terminaria aqui e hoje ela seria um dos 132 amigos dele numa rede social. Mas tudo nessa história foge ao normal, àquilo que ele faria com seu usual pessimismo.

Algumas semanas se passaram e poucas palavras foram trocadas. Talvez aquele fosse o limite... já estava além do que ele tinha pensado quando a viu em fevereiro. Mas ela parecia ser tão fofa. Ele queria fazer algo a mais, mas não sabia o que... nem como.

Às vezes a ajuda vem de onde menos se espera. Uma garota com quem conversara cinco vezes no máximo durante um curso o encontrou num ônibus. Depois de comentar rapidamente o assunto, sem detalhes nem nomes – aliás, seu velho erro: sempre deixar que todos soubessem o que sentia, menos a pessoa que mais deveria saber disso –, ela lhe disse algo muito parecido com “faça o que você quiser para se sentir bem”.

Por que não tentar se aproximar de alguém de quem ele realmente gostara, mesmo sem, ainda, a conhecer? Mas por que tentar, se envolver, sabendo como as coisas tradicionalmente terminavam?

“Eles simplesmente pulam, pedindo a Deus para ter asas, porque senão eles caem...” – City of Angels.

sexta-feira, 5 de março de 2010

Porque não leio mais a série Crepúsculo

Hoje, durante o percurso até a Etec, um de meus retweets dessa semana não saía de minha cabeça: #IHateTwilight. Isso pode parecer um bocado incoerente vindo de alguém que leu três e meio dos quatro livros da série de Stephenie Meyer – e provavelmente é. Mas há algum tempo atrás percebi que meu excesso de preocupação com coerência me impedia de fazer algo maravilhoso: mudar de idéia. Assim sendo, sim, afirmo não gostar da série Crepúsculo, mesmo após ler três livros e meio.

Bom, melhor esclarecer que o pensamento que motivou este texto não foi meu combate mental por coerência ou não, mas sim o que me fez parar de ler Eclipse. O que explico agora toma como base o comportamento de grandes heróis dos quadrinhos como Spider-Man, Batman e Superman.

Iniciei a semana no Twitter escrevendo que “quero ser picado por uma aranha radioativa”. Sempre me identifiquei com o estilo meio “banana” de Parker pré-aranha (especialmente quanto a relacionamentos), mas há outros personagens com problemas em suas vidas pessoais (Seth Cohen, de The O.C., é um exemplo perfeito na primeira temporada do seriado). Particularmente, o que me fez gostar tanto dessas séries e filmes – além, é claro, da ação envolvida em histórias muito mais complexas que a de Meyer – foi a superação do personagem desajustado socialmente.

Nesse sentido, apesar da saga de Peter e Mary Jane figurar entre as melhores, o grande prêmio vai para Seth e Summer na primeira temporada de The O.C.: do cara que nem era notado, que tinha sua existência desconhecida apesar de estudarem na mesma escola, ao posto de namorado de sua amada (Seth é meu ídolo! – ao menos, até o final da primeira temporada).

Bom, mas o que isso tem a ver com Crepúsculo? Obviamente, o amor não tem explicação – talvez em parte por isso seja tão belo –, mas, sendo um amor de ficção, certas coisas devem ser explicadas ou, no mínimo, motivadas. O amor cego de Bella por Edward era algo que incomodava desde o primeiro livro e ficou insuportável no final do segundo. A garota se apaixona pelo herói, pelo “símbolo de perfeição”, por aquilo que nós, simples mortais, nunca conseguiremos ser.

Onde está o conflito, a superação? Fãs da série podem argumentar que a grande superação de Edward é não mordê-la, mas isso não passa, em minha opinião, de uma simples regra de convivência. É como alguém que pratica seriamente certas religiões que pregam o ato sexual apenas após o casamento (e isso não torna esses indivíduos heróis, perante a ampla opinião pública). Claramente, não se mata a pessoa amada.

Como torcer por um personagem que nunca, na história narrada, sofreu as dores humanas de ver sua amada com outro, ou vê-la e não conseguir falar nada decente – novamente, para os fãs da série: não falar por necessidades alimentícias não se encaixa nessa dor; fome e dependência química são temas muito tristes, mas não são essas as dores as quais me refiro – e sair de cada ocasião em que a vê sentindo uma enorme angústia por sua insegurança.

Edward não é digno de ser chamado de herói. Salvo nos fracos conflitos criados por Meyer, a situação sempre esteve sob seu controle. Stephenie, aliás, é muito eficiente em dizer a todos os que buscam nos heróis inspiração para superar seus medos que nada do que façamos será suficiente, afinal, nossa amada verá o “herói” e se apaixonará instantaneamente por ele, sem nenhum motivo.

Enfim, por que continuar a ler algo assim? Algo que diz que a situação não pode melhorar, não importa o que se faça? Algo que apenas me faz recordar as reais situações? Particularmente, prefiro procurar algo mais inspirador.